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A depressão é real e precisa ser levada mais a sério


O índice de suicídios tem aumentado, notadamente entre os jovens, e assusta. Ou não? Para muita gente isso não significa nada e tudo é levado na brincadeira. Mas o problema é muito complicado e requer mais seriedade. Especialistas enfatizam que uma das causas dos suicídios é a depressão. E é justamente a depressão que não está sendo levada a sério como deveria. Chacotas têm sido comuns quando se faz referência à depressão. Quem normalmente brinca com a situação é porque ainda não se deparou com casos de suicídios entre pessoas mais próximas. O mais agravante é que as vítimas da depressão nem sempre demonstram tristeza e podem estar sorrindo o tempo todo.

Numa realidade conturbada em que estamos vivendo, cabe a cada um de nós passar a observar mais de perto o comportamento de quem está mais próximo. Nossas famílias, nossos amigos, nossos vizinhos, nossos colegas de trabalho, mais do que nunca, precisam da nossa atenção. Especialistas no assunto alertam que tratar a depressão é fundamental para evitar o suicídio, e que o primeiro passo é ver a depressão como uma doença que precisa ser tratada. É preciso criar um clima de empatia para conseguir a confiança da pessoa depressiva, a fim de que haja condições para que ela aceite ajuda, especialmente de especialistas da área de saúde.
Campanha conduzida pela Upjohn, uma das divisões de um laboratório farmacêutico focada em doenças crônicas não transmissíveis, em parceria com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) e participação do Centro de Valorização à Vida (CVV), destaca que mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor, e que a depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. Os dados mostram o aumento dos casos entre os mais novos, com prevalência entre os homens, evidenciando a depressão como a quarta maior causa de suicídio entre jovens no Brasil. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.
Isso é apenas um recado àqueles que insistem em brincar diante da gravidade da situação, principalmente porque dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o país com maior percentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. A taxa é maior do que o valor global, que é de 4,4%. Igualmente maior do que em outros países, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% de 2006 a 2015. A cada 46 minutos alguém tira a própria vida no Brasil. A depressão faz parte do nosso cotidiano e nós precisamos levá-la mais a sério, sobretudo passando a observar mais o comportamento (ou suas mudanças) de pessoas mais próximas a nós. Esse cuidado pode ser determinante para a preservação de vidas. Cuidemos mais das nossas famílias e dos nossos amigos para que não deixemos que sejam afetados pela depressão. A situação é muito séria e não deve ser levado na brincadeira.

Por Chagas Pereira

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